O porre do Abreu

– Opa, Abreu, obrigado por aquele dinheiro ontem ein rapaz!

– Ah vá Souza, deixa de brincadeira!

– O que você ta falando? Aquele dinheiro que você me emprestou ontem.

– Para com isso, não te emprestei nenhum dinheiro ontem.

– Claro que me emprestou, ainda disse que eu podia devolver sem pressa.

– Nunca! Você não está falando sério, né Souza?

– Nunca falei mais sério na minha vida!

– Mas eu não me lembro de nada! Quanto eu te dei?

– Pô! Você não se lembra? Também, naquele porre que você estava!

– Porre? Eu nem bebi!

– Quem não bebeu fui eu! Você encheu a cara!

– O que? Como assim, eu não me lembro disso.

A Regina, que estava passando no corredor entrou na conversa.

– Abreu ein, quem diria? Rodou a baiana ontem.

– Mas eu não sei o que aconteceu! Onde que eu bebi?

E a Regina continuou.

– Oras, na festa do 3° andar de ontem, só deu você. Dançou em cima da mesa e tudo!

– Em cima da mesa? Como assim? Eu nem sou de dançar!

– Mas dançou. E dançou muito viu, até tirou a calça e mostrou sua cueca das tartarugas ninjas!

– Mas eu não tenho uma cueca das tartarugas ninjas!

– Olha, não sei de quem era, mas você estava vestindo.

O Souza voltou a falar

– E até rebolou cara!

– Ai meu Deus, como isso foi acontecer?

– Como você acha Abreuzinho? Depois de tudo que você bebeu? Não me impressiona você ter dado em cima da mulher do Mendes.

– Eu dei em cima da mulher do Mendes? Como assim?

– Nossa, só faltou agarrar a mulher. Isso não se faz né Abreu!

– Mas eu não lembro de nada disso!

– O Mendes ta uma fera contigo cara.

Neste momento o Barbosa vinha no corredor, de braços abertos, com um sorriso no rosto.

-Abreuzinho! Que maravilha ontem ein! Nunca pensei que você faria uma tatuagem do Fernando Henrique Cardoso na nadega, rapaz!

– O QUE?

O Souza interropeu.

– Você não se lembra? Poxa cara, a gente ficou lá segurando sua mão e você nem se lembra.

– COMO ASSIM? TATUAGEM?

– Pô cara, ficou legal até, o tatuador é fera.

– Como vocês me deixaram fazer isso??

– Ué, você tem mais de 50 anos, sabe muito bem se virar.

– Mas você não disse que eu estava de porre? Podia ter me impedido!

O Barbosa continuou.

– Qué isso cara, ficou legal.

– Mas eu odeio tatuagem! E odeio o FHC.

– Mas você ficava gritando “Ê, ê, ê , eu amo o FHC!”

– Não diga?! Meu Deus, por quê?

Agora, quem vinha no corredor, era o Macedo. Abreu percebeu que ele iria passar reto e o chamou.

– Ô Macedo? Você não vai tirar uma com a minha cara?

– Por que Abreu?

O Barbosa, o Souza e a Regina estavam atrás do Abreu, piscando e fazendo gestos enlouquecidos para o Macedo.

– Por causa do porre que eu tomei ontem.

– Porre? Ontem a gente foi na pizzaria e depois eu te deixei em casa cara.

O Barbosa, o Souza e a Regina encaravam o Macedo com ódio.

– E a festa no 3° andar?

– É semana que vem cara. E vocês aí atrás, parem de piscar, já acabou a graça.

O Barbosa, enfurecido, disse:

– Estraga prazeres!

E a Regina completou.

– Deixa de ser chato Macedo! Parece pai do Abreu! Deixa ele se virar.

Mas o Abreu e o Macedo tinham ido embora. O Abreu, pensando como tinha caído de novo na pegadinha do pessoal do escritório. O Macedo, rindo sozinho, pois o Abreu não lembrava o que tinha feito na pizzaria. Não importava, o Macedo tinha gravado tudo e quando chegasse em casa iria colocar no YouTube.

 

 

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