Porra, a de manga não!

Às vezes, quando não tenho nada pra fazer, tento lembrar de pequenas coisas que me faziam rir muito. É um bom exercício, devo dizer, traz coisas realmente significantes de volta a cabeça, mas não posso dizer que é fácil, pelo contrário, em muitos momentos passo duas horas sem lembrar nada.

Tudo consiste em tentar puxar algo realmente insignificante na memória, alguma coisa que poderia tranquilamente passar despercebida, mas não passa por alguma razão obscura da sua cabeça.

Outro dia lembrei de como era comprar uma bala de goma na escola. Havia tanta coisa envolvida no simples ato de comprar uma, que isso se tornava motivos de discussões e risadas de um dia inteiro. A bala de goma era 50 centavos, me lembro até hoje (não que dois anos sejam muito tempo, mas o preço da bala de goma da cantina não é algo marcante para muitos), e o pacote vinha com 10 unidades, o que significava que se algum infeliz te pedisse uma, ele estaria usurpando 10% do seu pacote de alegria.

Lembro que era comum pedir uma para alguém e ouvir em resposta: “Araou”. O que, para uma pessoa com oito balas na boca significava “Acabou”. Eu olhava para a pessoa, que estava lacrimejando e babando no chão e dizia que ia ter volta. E tinha. No meio da aula de história eu abria o meu pacote e colocava tudo na boca, só de sacanagem. Se o professor me perguntava alguma coisa naquela hora, eu só apontava para alguém do lado.

Mas acho que a melhor coisa em relação a bala de goma, é que dentre todos os deliciosos sabores, havia a de manga, que, sendo gentil, não era tão boa (era uma merda, sério). A de manga, na verdade, era rara, como uma figurinha brilhante, mas às vezes vinha, e quando acontecia era de foder.

Não tinha como saber o sabor antes, era preciso colocar na boca e mastigar para descobrir, era a loteria da bala de goma. E quando acontecia com você era um desastre, todos riam da sua cara, apontando, e você, com aquele pedaço de “horrível” na boca.

Agora, quando acontecia com o outro, era festa, me lembro até hoje da cara das pessoas mastigando a de manga, era algo que me valia o dia. As aulas mais alegres eram aquelas que eu ouvia de longe: “Porra, a de manga não!”, e começava a gargalhar. Talvez um dos melhores dias do ano foi quando pegaram um pacote só com balas de manga, como se um raio caísse dez vezes no mesmo lugar.

Hoje, parei de comprar balas de goma, pegar a de manga sem ninguém pra rir de você é realmente triste. Saudades do colégio.

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