Só um jogo?

Ontem, deitado no asfalto da Avenida Paulista, com a minha camisa da sorte vestida e fazendo a bandeira alvinegra como se fosse capa de super herói, me dei conta, o Corinthians era campeão da taça Libertadores da América, finalmente, de forma invicta e vencendo os chamados “bichos-papões” da competição. Mal sabíamos que o verdadeiro bicho-papão era, na realidade, o Corinthians, que poderia jogar quantos jogos fossem, seria campeão de um jeito ou de outro. É aquela velha história de que se uma coisa é pra acontecer, acontece.

Ao meu redor, centenas de corintianos libertados, como um senhor, segurando um terço na mão, ajoelhado e olhando para o céu, sussurrando “obrigado, obrigado”. Do lado dele, um trio de japoneses que tiravam fotografias de tudo e de todos, sorrindo, com faixas do Japão na cabeça; perto dali, um argentino, torcedor do River Plate, com uma faixa do Corinthians campeão 2012 no peito e olhando para os lados, visivelmente impressionado. Todos gritando, alguns chorando, outros em êxtase máximo. Do meu lado, um negrão 4×4 balançava uma bandeira também 4×4 e chorava muito, de soluçar. Um gordinho bigodudo gritava que hoje seria feriado, e o Ivan, que normalmente nem é tão fanático, subia em um caminhão de caçambas para gritar que era campeão da América.

Tudo isso embalado por uma sinfonia de buzinas, rojões, gritos, cantos de incentivo e o famoso mantra “Vai Corinthians!”. Foi fundo ein, Corinthians? Quem imaginaria? Na verdade, todos imaginavam, todos sabiam que um dia seríamos campeões. Os corintianos esperavam ansiosamente, e os rivais, temiam e secavam. Aliás, obrigado a todos que torceram contra, o título só é tão grande por causa de vocês.

Olhei para um pai de mãos dadas com seu filho de uns 6 ou 7 anos e tive dó do garoto, tão jovem e já campeão da Libertadores, que graça tem? Emoção nenhuma, não vai nem ser zoado pelos amigos na escola. Aí pensei em mim, sou jovem também, que sorte teve minha mãe e o resto do pessoal que viu tudo isso acontecer, viu o Corinthians perder e segurou por tanto tempo esse grito, para agora poder soltar com um gostinho muito mais especial.

Andei pela Paulista de ponta a ponta e nunca me senti tão dono dessa cidade. Nunca vi nada igual.

É um jogo, eu sei, mas não venha me dizer que é SÓ um jogo, por que não é, mas não é mesmo!

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1 comentário

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Uma resposta para “Só um jogo?

  1. Belo texto.Eu vou guardar pra sempre o dia em que o meu Corinthians foi campeão da Libertadores, assim como lembro até hoje do dia em que foi campaeão Paulista, em 1977. São emoçoes que ficam pra sempre.

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