Arquivo do mês: agosto 2012

Exemplo pra ninguém

Essa semana, Tite, o técnico do Corinthians, afirmou que Neymar é um mau exemplo para os jovens de todo o mundo. Logo pensei que pudesse ser pelo cabelo ridículo ou pela apologia ao sertanejo universitário, coisas que fariam bem mais sentido na minha cabeça.

A crítica, no entanto, foi pela deslealdade em alguns lances e pelo teatro em 89% das faltas que sofre, o que é verdade, mas pouco importa no sentido de uma influência negativa para alguém.

Posso não ser um bom entendedor da sociedade e do papel de um jogador de futebol, social e antropologicamente, quem sabe. O fato é: porque jogadores de futebol devem ser exemplo para os jovens? Um argumento possível é cair naquela velha história de que faltam heróis no Brasil e pessoas para se espelhar. Os ídolos nacionais são esportistas.

Em minha opinião, porém, o único papel que um jogador de futebol deveria ter, por mais absurdo que pareça é o de jogar futebol. Simplesmente isso, nada mais que chutar a bola no retângulo do inimigo.  Não se perguntava se Garrincha seria um bom exemplo por consumir doses cavalares de álcool, ou se Romário passava uma imagem bonita ao dar entrevistas com arrogância e prepotência. Lá fora, por exemplo, Eric Cantoná, que ainda hoje é um dos maiores ídolos da história do Manchester United e tem sua camisa vestida por centenas de moleques, é um bom exemplo? Chutar um “hooligan”, como ele mesmo disse, é algo a se admirar? Talvez, não julgo. O fato é que um jogador de futebol não deve ser cobrado para ser exemplo para ninguém.

Digo, obviamente isso não é um erro fatal, é natural que uma criança tenha um jogador como herói e não há nada de errado nisso. O que é errado é condenar um jogador por alguma atitude descabida frente às crianças, é algo como dizer que Charlie Sheen influencia jovens ao uso de drogas, não faz sentido, não é seu papel educar a sociedade e servir de parâmetro.

Jogadores de futebol são vitrines, lançam tendência, são adorados por multidões, são figuras públicas, mas não são educadores, longe disso, muitos deles, aliás, pouco tiveram educação básica.  É irreal, portanto, cobrar de um cara desses que ele se comporte de maneira correta e educativa.

É importante não cairmos num mundo de chatos e certinhos, que já foram responsáveis pela inclusão de maçãs no McDonalds, de álcool gel em todos os lugares do mundo, da adoção de termos como “afrodescendente”, “melhor idade”, e “bullying”, que deve ser utilizado para toda e qualquer zueirinha infanto-juvenil. Mas também não podemos aceitar nossos filhos e sobrinhos enchendo salões de beleza para fazer cortes de cabelo bizarros, porque isso já é demais.

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Por um 2016 nas primeiras posições!

Os jogos olímpicos começaram a pouco mais de duas semanas e já se ouve os críticos de plantão dizendo que o Brasil segue rumo a um fiasco histórico. Não entendo a crítica em relação a tudo isso, sendo que o país sempre esteve nessas posições. Não melhorou, é verdade, mas também não piorou. Todos os especialistas em judô, nos quatro cantos do Brasil, disseram que Thiago Camilo deveria ter levado a luta pro solo, ao invés de ter tentado o Ippon (Ippon? É assim mesmo? Não sei, são palavras que o brasileiro reaprende de 2 em 2 anos, no Pan-americano e nas Olimpíadas). Os federados em natação afirmaram que César Cielo não se esforçou o necessário, mesmo sem ver sua prova, pois já sabiam que um resultado negativo viria, enquanto os técnicos vitoriosos de handebol execraram a seleção feminina. Diego Hipólito, por sua vez, deve estar de brincadeira com as nossas caras por não conseguir dar meros três rodopios no ar e cair em pé com elegância. É um vexame.

Vexame esse que entendo completamente, e aceito. Não vou, porém, entrar na discussão da “falta de incentivo ao esporte” ao algo que estamos cansados de ouvir. O fracasso brasileiro é, mais do que tudo, cultural, algo da natureza, do povo. Quem escolheu os esportes olímpicos? Certamente não foram brasileiros, caso contrário “esportes” como saltos ornamentais, hóquei e badminton não estariam em disputa. Onde já se viu brasileiro bom de esgrima, por exemplo?

Em 2016 deveríamos, portanto, fazer um rearranje dos esportes olímpicos, uma substituição de modalidades com o intuito de favorecer o Brasil. Sim, favorecer mesmo, sem medo de sermos felizes, ou vocês acham justo haver um esporte chamado “luta Greco-Romana”, que claramente favorece os gregos e todo o império romano?

O tênis de mesa, popularmente conhecido como ping-pong, é um esporte de amplo domínio oriental. O que fazer para combater? Incluir outros jogos de recreio que o Brasil possa ter domínio, como o pebolim, a queimada, o pega-pega, o passa anel e o pula-corda, sendo que os dois últimos seriam ouro garantido no feminino.

Jogos de mesa e tabuleiro também deveriam estar presentes, pois, além de poder possuir atletas de, praticamente todas as idades, com certeza o Brasil não passaria em branco. Seriam essas modalidades como dominó, truco, buraco, combate, cara-a-cara, banco imobiliário, war, jogo da vida, stop, batalha naval e detetive. Peão, bocha e empinamento de pipa também são esportes que deveriam ganhar um lugar nos jogos.

Creio também que deveríamos pegar todas as modalidades nas quais temos desempenho satisfatório, como vôlei e futebol e introduzir todos derivados possíveis desses esportes. Assim, além do futebol de campo, teríamos o futsal, o futebol de areia, o showball, o artilheiro, o melê (também chamado de 3 dentro, 3 fora), o rolinho porrada (também conhecido como passou levou), e o porrão, que consiste basicamente em atingir alguém com um chute mais forte possível, para machucar. Dentro do vôlei teríamos, além do de quadra e do de praia, o na piscina, no campo, com barreiras, com distrações externas (que contaria com palhaços atirando objetos, obviamente), o clássico 3 corta e o porrão com bola de vôlei, que é bem mais legal.

Posso dizer com a máxima certeza que essa mudança na seleção de esportes para as olimpíadas não só subirá o Brasil no quadro de medalhar como também devolverá ao povo o orgulho do país e a vontade de participar de tais eventos. Além disso os especialistas de plantão poderiam tirar as tão merecidas férias eternas, que é o que todos queremos.

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