Exemplo pra ninguém

Essa semana, Tite, o técnico do Corinthians, afirmou que Neymar é um mau exemplo para os jovens de todo o mundo. Logo pensei que pudesse ser pelo cabelo ridículo ou pela apologia ao sertanejo universitário, coisas que fariam bem mais sentido na minha cabeça.

A crítica, no entanto, foi pela deslealdade em alguns lances e pelo teatro em 89% das faltas que sofre, o que é verdade, mas pouco importa no sentido de uma influência negativa para alguém.

Posso não ser um bom entendedor da sociedade e do papel de um jogador de futebol, social e antropologicamente, quem sabe. O fato é: porque jogadores de futebol devem ser exemplo para os jovens? Um argumento possível é cair naquela velha história de que faltam heróis no Brasil e pessoas para se espelhar. Os ídolos nacionais são esportistas.

Em minha opinião, porém, o único papel que um jogador de futebol deveria ter, por mais absurdo que pareça é o de jogar futebol. Simplesmente isso, nada mais que chutar a bola no retângulo do inimigo.  Não se perguntava se Garrincha seria um bom exemplo por consumir doses cavalares de álcool, ou se Romário passava uma imagem bonita ao dar entrevistas com arrogância e prepotência. Lá fora, por exemplo, Eric Cantoná, que ainda hoje é um dos maiores ídolos da história do Manchester United e tem sua camisa vestida por centenas de moleques, é um bom exemplo? Chutar um “hooligan”, como ele mesmo disse, é algo a se admirar? Talvez, não julgo. O fato é que um jogador de futebol não deve ser cobrado para ser exemplo para ninguém.

Digo, obviamente isso não é um erro fatal, é natural que uma criança tenha um jogador como herói e não há nada de errado nisso. O que é errado é condenar um jogador por alguma atitude descabida frente às crianças, é algo como dizer que Charlie Sheen influencia jovens ao uso de drogas, não faz sentido, não é seu papel educar a sociedade e servir de parâmetro.

Jogadores de futebol são vitrines, lançam tendência, são adorados por multidões, são figuras públicas, mas não são educadores, longe disso, muitos deles, aliás, pouco tiveram educação básica.  É irreal, portanto, cobrar de um cara desses que ele se comporte de maneira correta e educativa.

É importante não cairmos num mundo de chatos e certinhos, que já foram responsáveis pela inclusão de maçãs no McDonalds, de álcool gel em todos os lugares do mundo, da adoção de termos como “afrodescendente”, “melhor idade”, e “bullying”, que deve ser utilizado para toda e qualquer zueirinha infanto-juvenil. Mas também não podemos aceitar nossos filhos e sobrinhos enchendo salões de beleza para fazer cortes de cabelo bizarros, porque isso já é demais.

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