Arquivo do mês: abril 2014

Pernilongos

Ao bater suas pequenas asas para dentro do meu quarto já é perceptível que um grande erro foi cometido. Tudo ali avisa que o território é hostil. Latas de repelente vazias, pastilhas anti-mosquito enfiadas em uma traquitana presa na tomada, ventiladores apontados para todos os lados, no aguardo de algum desavisado passar e ser arremessado pelos ares, e o pior, as marcas dos que já passaram por lá e não obtiveram sucesso.

As paredes, repletas de corpos de pernilongos esmigalhados através dos anos, são o retrato vivo da batalha que ocorre dia após dia e não mostra previsão de um fim. Alguns dos insetos vieram a óbito ainda carregando meu sangue fresco em seus corpos, e outros, por algum passe de mágica, conseguiram escapar impunes. Mas nenhum passou por ali sem lutar.

Obviamente minhas técnicas aumentaram e se desenvolveram com o tempo, algo que a “captura ultra-veloz com uma mão” pode provar. Os pernilongos, por sua vez, também mostram habilidades únicas, como o desaparecimento ao acender das luzes e a multiplicação em dias quentes, que curiosamente são os dias em que somos obrigados e deixar nossas janelas abertas.

Mas antes que alguma sociedade protetora desses odiosos seres inclua meu nome em sua lista negra, embora eu francamente duvide que exista alguma instituição assim, peço para que se lembrem dos momentos de paz que um dia foram arruinados pelo zumbir de um mosquito. Das noites em que os seus sonhos já batiam a porta, que dormir era algo concreto, e um inseto entrou em seu ouvido, te acordando subitamente. De todos os momentos de imenso prazer destruídos de forma atroz e sem coração.

Sem contar marcas vermelhas pelo corpo e aquela coceira incessante causada pela mordida desse bicho. Nunca é demais lembrar que eles também atacam qualquer um, até inocentes bebês recém-nascidos, que não possuem qualquer tipo de defesa mas mesmo assim são covardemente agredidos.

Agora, se após tudo isso ainda exista alguém que não defenda a morte imediata de todos os pernilongos da face da Terra, me desculpe, mas faça um favor para a sociedade e adote um. Um não! Todos!

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