Adeus, amigo

Sim, eu te deletei. Se servir para alguma coisa, me arrependi logo depois. Mas, sem demagogia, não éramos mais tão próximos e, você sabe, apareceram outros. Antes de qualquer coisa, preciso dizer, e sem medo de errar, que você ficará guardado comigo para sempre, e isso ninguém muda.

Vim adiando esse adeus por inúmeras razões. Não sei, faz tanto tempo, ás vezes é um pouco injusto falar de algo que já se foi. Mas decidi que não poderia apenas ignorar. Você é parte da minha história Orkut, não tenho vergonha disso (apesar de que algumas fotos que compartilhei contigo sejam dignas de uma viagem só de ida para qualquer lugar longe daqui).

Te conheci no colégio, grande época. Você ajudou muito, ta sabendo? Ah, então fulaninha gosta dos Beatles? Eu, por acaso, tenho uma camiseta deles e, por outro acaso, usarei amanhã na escola. Essas coincidências da vida…

Amigo, você foi grande. Naveguei sem pudor. Stalkeei (sem nem saber o que isso significava ainda) como se fosse um agente da CIA, buscando em scraps e comunidades, a solução para meus casos de amor.

Nas semanas de provas, você era minha válvula de escape por diversos motivos. O primeiro era o alívio da tensão. Entrar em comunidades populares e comentar “soco na cara” no joguinho “beija ou passa” era o auge humorístico da semana.
Quando não tínhamos ideia do que estudar, partíamos para o grupo da sala e debatíamos em uma honorável festa da intelectualidade juvenil brasileira. Estudantes sedentos por conhecimento, trocando idéias e raciocinando juntos. Também combinando quem levaria a cola no dia seguinte e compartilhando a prova do ano anterior.

Fiquei sabendo o quanto as pessoas eram sexy, legais e confiáveis. Fiquei sabendo de festinhas secretas, com depoimentos não aceite (EM CAPS LOCK), e me senti muito enturmado. Era demais, não nego.

Nada vinha até nós, como num mural idiota onde somos obrigados a ver tudo. Se quisesse saber algo, tinha que ir atrás, como na vida real. Sem essa ilusão das coisas caírem no seu colo. Você foi uma aula para a vida Orkut.
Aprendi muito. As meninas “só add com scrap” addinham a gente de qualquer jeito, sabia? E as que apagavam os recados, pensando bem, não eram legais, e sim um bando de desocupadas que queriam parecer cool.

A gente entrava em comunidade só para impressionar mesmo. Nunca vi o filme, mas geral (que não viu também) está lá. Gosto mais ou menos desse ator, mas fulana adora. Ah, a pré-adolescência, como era bom. A escola, as meninas, o cinema, o futebol, e você, amigo. Só isso.

Dizem que, independentemente de quando você vá, o importante é tentar viver para sempre, de alguma forma, na lembrança das pessoas. Deixando de lado Buddy Pokes e peixinhos coloridos com mensagens estúpidas, acho que você conseguiu.

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