A gran invenção de Graham

Alexander Graham Bell entra em seu escritório em uma ordinária tarde de domingo e vê Max, seu assistente, sentado perto da lareira, esfregando as mãos. Era justamente quem ele queria encontrar para contar as novidades.

− Max, querido! Aproxime-se! Borbulho em excitação com meu novo projeto!

O jovem se senta perto do mestre e aguarda.

− Tive uma ideia que poderá mudar os rumos de nossa sociedade! Algo revolucionário!

− Que bom, senhor, o que é? Espero poder ajudar.

− Claro, Max! É o meu parceiro! Precisarei de total auxílio.

− Então me diga o que pensou, estou aqui para servir.

Graham Bell se coloca mais perto de seu assistente e começa a falar como se contasse um segredo.

− Você sabe como eu tenho verdadeiro asco por pombos, não é?

− Hum…

− Não consigo mais aceitar mantê-los em casa, mas não posso me privar de me comunicar com pessoas que moram longe.

− Hum…

− São animais asquerosos! E o cheiro então? Meu Deus, horrível! São ratos com asas!

Max continua ouvindo.

− Mas minha ideia pode significar o fim dos pombos correio. Será o ponto final dos parapeitos de janela sujos de cocô.

− Todos os animais defecam, senhor. Não há o que fazer.

− Não estou falando de animais, Max! Estou falando de tecnologia! Imagine um aparelho que nos conecta a qualquer ser humano! Você e eu nos falando, como agora, mas sem estar no mesmo lugar!

− Parece incrível mesmo.

− Claro que é! Quão fácil será nossa vida? Só falar no aparelho e você ouvirá e responderá de onde estiver!

− Mas as pombas irão se tornar inúteis, senhor, vagando em praças por aí…

− Preste atenção! Isso não tem importância alguma. Escute, nomeei o invento de o “Gran telefone de Graham”. Gostou?

− Acho que sim. É vendável.

− E preciso que me dê ideias, vamos!

− Com certeza, já pensei em algumas coisas.

− Diga-me, garoto! Não perca tempo!

− Esse invento poderá ser transportado para onde quisermos?

− Claro que não, rapaz. Cada casa terá uma sala destinada exclusivamente para se colocar o Gran telefone de Graham da família.

­− Ah sim, achei que era um para cada um. Não queria usar o da minha mãe, sabe?

− Não fale bobagens, será uma forma de conexão!

− Ok, desculpe. E, outra coisa, poderia ter um relógio junto, não? Juntar tudo já.

− Max, não seja ingênuo. Relógio é uma coisa, Gran telefone de Graham é outra.

− É, verdade… É que eu achei que poderíamos fazer algo que juntasse tudo, quem sabe colocar um tabuleiro de jogo em cima, cabe? Poderia ser gamão… Adoro gamão.

­− Não me venha com megalomanias! Se conectar com pessoas que estão longe não está bom já? Que tipo de boçal usaria o Gran telefone de Graham para jogar jogos? O que você quer também? Mandar mensagens escritas? Como uma carta? Estou falando de revolução, Max! Olhe para frente!

− Sei. E o que você acha de abreviar o nome?

− Hum… Para o que? Só Graham? Acho que pode ser interessante.

− Só telefone, talvez.

− Max, o que aconteceu com você hoje? Péssimas ideias, nunca vi…

Hoje, o tataraneto de Max recebeu, em seu Iphone 6, setenta e nove vídeos pelo Whatsapp. 56 eram pornográficos, 12 de gatos tocando instrumentos musicais, 7 de cachorros caindo e fazendo estripulias, 3 do mesmo rap com frases do Faustão e 1 de política que ele deletou. Ele também baixou o Tinder e pediu vidas no Candy Crush.

Graham Bell se revirou no caixão.

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