Eu, você e o Maicon

Queria ter te tirado no amigo secreto, mas ao invés disso, tirei o Maicon. Para piorar a Samara te tirou e trocou com o Matheus pelo Dudu, que ele tinha tirado. Agora a Samara tirou o Dudu, o Matheus te tirou e eu… Bom, eu fiquei com o Maicon mesmo. Não entenda mal, ele é gente boa, mas eu estava torcendo muito para ser você.

Te daria o melhor presente, modéstia a parte. Venho observado seus gostos e sei de muita coisa que você iria adorar. Aquele livro que você vive falando, sabe? Consegui autografado pelo autor. Seis horas na fila, mas valeram a pena. Quer dizer, valeriam, se eu tivesse te tirado.

Consegui ingressos para aquele show que você queria também. Perdi a hora para a prova no dia seguinte, já que fiquei a madrugada inteira no site para conseguir, mas acho que vou me dar bem na substitutiva. Agora talvez eu vá com o Maicon, já que ele também gosta da banda.

Pensei em fazer uma caixa com várias coisas para você. O livro, os ingressos. Colocaria também alguns pacotes daquela bala que você vive comendo no intervalo e um par de meias xadrez. Não sei se você se lembra, mas na sexta série, quando a gente ainda era amigo, teve uma vez que você morreu de rir com um senhor xingando o próprio carro. Ele batia nos vidros e gritava “Lata velha!”. Usava shorts e meias xadrez até o joelho, e ficamos imitando ele por semanas depois daquilo. Então seria um presente mais como uma piada interna nossa.

Seria porque eu queria ter te tirado no maldito amigo secreto, mas não tirei. Tentei trocar os papéis na hora, mas me atrapalhei e acabei estragando meu plano inteiro. Era tão óbvio que isso aconteceria que nem sei por que estou chateado. É como nas vezes que te encontro no ponto, dou passagem para você entrar primeiro no ônibus e torço para vagar um lugar ao seu lado, mas nunca vaga. Sempre algum idiota, tipo o Matheus, senta com você, e eu tenho que sentar com… Você sabe. Ou nas vezes que você esquece sua caneta na aula. Eu sempre tenho uma sobrando, por que sei como você é esquecida, mas você nunca me pede.

O mundo conspira em nos afastar e eu não aprendo. Lembra aquela vez que minha mãe gritou da janela do carro: “Bebê! Esqueceu a cueca extra no banco de trás!”. Quem estava lá para escutar isso? Pois é, você. Mas quando tirei a bola que estava presa no teto da quadra havia um ano só jogando meu tênis, quem estava lá? Maicon.

A escola está acabando e talvez a gente nunca mais se veja, mas eu sei que se por acaso eu te ver por aí, vou lembrar de como me sinto agora e de como me senti todos esses anos. Vou lembrar, por exemplo, que você chama amigo secreto de amigo oculto, e eu acho ótimo. Toda vez que você fala alguma expressão só sua, aliás, eu acho ótimo. Mesmo quando não diz nada de mais. Só seu sotaque e seu jeito de falar me deixam besta. No fundo, eu sei que sou um cara legal e que você sai perdendo, mas mesmo assim a gente fica chateado para burro com tudo isso.

Espero que goste do presente do Matheus, mas tenho certeza que não será tão legal quanto o que eu vou dar para o Maicon. Comprei uma camiseta irada da NBA e ele vai ficar amarradão.

 

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