Dança das cadeiras sênior

“Bomba! Para dançar isso aqui é bomba! Para balançar isso aqui é…”, a música para de supetão e dezenas de crianças encapetadas se jogam em frágeis cadeiras de plástico, arriscando fraturas nos braços e dentes da frente estraçalhados, mas com a bravura de um verdadeiro campeão.

A gincana infantil comandada por um palhaço tenebroso com uma pintura facial tosca é o prelúdio de nossa vida adulta. A dança das cadeiras, jogo muito popular nas festinhas que íamos na infância, nos preparou para um momento específico dos nossos anos futuros: a briga por um lugar na praça de alimentação ou no quilo, nos horários de almoço.

É tudo muito parecido, com exceção do DJ tocando músicas de gosto duvidoso (algumas que vamos entender o duplo sentido anos depois, cantarolando inocentemente). Outra mudança é que, na versão sênior do jogo, há uma dificuldade a mais, os pratos cheios de comida que devemos manter intactos. Enquanto os garotos só se preocupam em empurrar aquele guri mais fracote na hora H, os adultos também devem conseguir equilibrar suas bandejas do Spoleto sem sujar a gravata de molho bolonhesa.

Além disso, no jogo original, as cadeiras estão sempre vazias, esperando para serem ocupadas quando a música parar. No jogo adulto é tudo mais complicado, e devemos observar atentamente os possíveis assentos livres, sem o auxílio de canções que nos avisam a hora certa de agir.

O resto é basicamente igual. O caminhar lento, fingindo despreocupação e o radar ligado. Olhos de lince para lugares desocupados. E, no momento exato, ataque! É tudo uma questão de olhar atento, agilidade e um pouquinho de maldade. Se jogar na frente do outro é crucial para a tarefa dar certo, mesmo que seu suco grátis (e artificial) de tangerina, derrame de leve.

Pronto, você venceu. Triunfante e apertado, dividindo uma mesa de tampo de granito com dois desconhecidos, penso nas frases que ouvia quando me irritava com os deveres da escola. “Você vai usar isso mais para frente”, “Tudo tem um propósito”. Tento cortar meu bife sem aplicar uma cotovelada certeira no meu vizinho e sigo feliz por ter descoberto algo da vida escolar que me foi realmente útil.

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