Garnett

O americano Kevin Garnett é um dos grandes jogadores da história da NBA, a liga de basquete dos Estados Unidos. Na temporada de 2003/04, foi eleito o melhor jogador, o que elevou seu status a um dos melhores, se não o melhor a vestir a camiseta regata dos Minnesota Timberwolves. O estilo de jogo do ala-pivô de dois metros e onze de altura é muito característico. Garnett é uma fera dentro de quadra.

Explosivo e temperamental, é conhecido por se utilizar muito do trash talk, a artimanha de falar besteiras na orelha do adversário. Durante toda a partida, quem estiver por perto é recebido com insultos, provocações e tudo que KG conseguir usar para desestabilizar o oponente. Seu ponto forte, ao longo de toda a carreira, foi o toco, movimento de bloqueio de uma tentativa de cesta adversária, o que, por vezes, pode ser um tanto humilhante. A moral é: Ninguém quer receber um toco, especialmente dele.

Mas neste momento, até o leitor menos concentrado, que vai lendo as linhas pensando no que vai jantar, no que devia ter falado naquela reunião do trabalho, deve estar se perguntando: “Ok, mas e daí? O que isso tem a ver com qualquer coisa?”. Pois bem, explico a curiosidade antes que perca ainda mais a atenção do amigo. Justamente essas características de Kevin Garnett o tornaram parte do vocabulário usado por mim e pelo meu grupo de amigos. Tudo isso fez do nome do jogador, uma gíria para nós.

Parece estranho e difícil, mas resumo. Todo grupo de amigos possui histórias, piadas internas e linguajar próprio. Muitas vezes, se ouvirmos de fora, não entendemos nada do que está sendo conversado. Meu grupo de amigos não é diferente, e entre outras dezenas de expressões que nós utilizamos, “Garnett” virou uma das principais.

Usamos, por exemplo, para nos referirmos àquele famoso pé na bunda. Há quem use o termo “bota”, e também os que preferem dizer “fora”. “Toco” é utilizado constantemente, mas nós preferirmos ir por “Garnett”. E então, como foi com a garota? Tomei um baita Garnett.

O sentido é total. Se o jogador de basquete é especialista em tocos, por que não tornar seu nome sinônimo? O mesmo acontece com outras gírias. Quando saímos mais cedo do trabalho é comum falarmos “hoje dei um Ronaldinho no trampo e vazei”. Olha para um lado, toca para o outro e vai para casa antes que alguém o veja, meu camarada.

E nos entendemos muito bem falando dessa maneira. É até mais legal, único, original. Nos dá o sentimento de exclusividade (que estou destruindo agora, compartilhando a expressão).

Gosto de Garnett por que é real. A coragem para se aproximar de alguém que nos interessa, dizer oi, puxar conversa ou convidar para um drink e uma dança desengonçada é a mesma necessária para furar a defesa adversária driblando, infiltrar o garrafão e tentar a cesta. Às vezes tomamos toco. Bloqueio. Rejeição. Porta fechada para você, amigão. Às vezes o toco é de um negrão de mais de dois metros que grita impropérios na sua cara. O não de alguém pode ser tão ruim quanto. Daí vem o “Garnett”.

A vida é feita desses momentos, de Garnetts inesperados e doloridos. Devemos superá-los, aprender com eles. É como um jogo de basquete, existem erros e acertos. E tempo suficiente para se recuperar. Existem bandejas, lances livres, passes incríveis. Também faltas duras, tocos humilhantes. E aqueles momentos inesquecíveis, como as cestas de três pontos. Ah! Que beleza são as cestas de três pontos do meio da quadra com o cronometro zerado, não?

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