Arquivo do mês: dezembro 2015

Acabou?

(contém spoilers)

Os primeiros dias de 2015 já foram um aviso de que a coisa seria complicada. Os ataques ao jornal francês Charlie Hebdo foram o início de um ano que prosseguiu distribuindo dúvidas. Afinal, o vestido era preto e azul ou branco e dourado?

Uma questão sem importância como essa bem que poderia ter sido a marca desses 365 dias, mas infelizmente, não foi o que se passou. Mariana se atolou em lama, refugiados morreram tentando a vida, e a gente ficou com esse enorme ponto de interrogação flutuando acima das nossas cabeças. O que está acontecendo?

Paris iniciou e terminou o ano sendo alvo de terrorismo, o que nos deixou com a amarga sensação de que nada mudou.

No Brasil, realmente, parece que vivemos uma reprise de anos anteriores. Os petralhas e coxinhas continuam seu embate a todo vapor, com novos capítulos diários. Pelo que parece, ou o Brasil vira Cuba, ou vamos matar todos os pobres e viver uma era bolsonarista. Ainda não achamos o meio termo.

A seleção, com um futebol paraguaio, foi eliminada da Copa América pelo Paraguai, e Neymar, após a partida contra a Colômbia, deixou a competição. Replay de 2014. O que não foi igual, mas que todo mundo já sabia, é que a FIFA estava mais suja que pau de galinheiro, e algumas máscaras, felizmente, começaram a cair.

Falando nisso, (estou citando o país sede da FIFA, a Suíça, e não a corrupção, longe de mim), Eduardo Cunha declarou que não possuía contas na Suíça, depois lembrou que poderia ter umazinha ou, estourando, duas. Ele também acatou o pedido de impeachment, o que nos levou a correr para o Google e pesquisar como se escrevia esse troço. Im-pi-ti-man. Ficou mais uma dúvida no ar.

Michel Temer também quis aparecer um pouco no jornal e, aproveitando a queda do Whatsapp, enviou uma cartinha para Dilma. Quando a carta vazou para a imprensa, para a surpresa geral da nação, ficamos sabendo que eles não são tão amigos e que o vice (decorativo), gostaria de brincar mais de presidência.

Outra questão que movimentou a opinião pública e gerou milhares de textos de facebook foi a tal da maioridade penal. Dezesseis ou dezoito, afinal? Prender ou educar? No fim, cada um ficou com sua resposta, como sempre.

Faltou água em São Paulo? Para uns, faltou. Para outros, claro que não. Aliás, racionamento é invenção de nossas cabeças. A polícia desceu o cacete nos estudantes que queriam estudar, afinal de contas, lugar de criança é na escola, e não na esc… Calma, me atrapalhei todo aqui. Acho que é por causa do tanto de televisão que vi esse ano, o que me confundiu inteiro.

O Jon Snow levou várias facadas e ficou deitadão de olho esbugalhado, mas logo depois apareceu no pôster da temporada nova. Aí eu fique igual ele, sem saber de nada. A Xuxa estreou um programa cover da Ellen Degeneres na Record, enquanto estava todo mundo assistindo Masterchef e achando a final um saco.

A bunda da Paola Oliveira foi um sopro de alívio em meio ao caos que 2015 proporcionou e pudemos, pelo menos uma vez, nos sentir unidos. Descobrimos “falsianes”, enchemos nossos computadores de memes do John Travolta e dançamos junto com um tubarão descoordenado carinhosamente apelidado de left shark. Corremos atrás da senhora junto com aquela repórter e gritamos: Senhora!? Senhora!? Assistimos juntos o novo filme da saga Star Wars e, vamos combinar, nos emocionamos juntos também.

O casamento igualitário foi aprovado nos Estados Unidos e as redes sociais se encheram de fotos com arco-íris. Alguns reclamaram das fotos, e outros reclamaram dos reclamões. Houve também os que reclamassem dos que reclamaram das reclamações, então foram sendo criadas inúmeras camadas e eu já não sabia do que as pessoas estavam reclamando.

Mulheres foram corajosamente se abrindo em relação aos machismos que já sofreram, e alguns homens entraram na onda também, já que ninguém resiste a um likezinho no facebook.

E então ficamos com a dúvida final. Já acabou, Jéssica? Ta quase…

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Eu, você e o Maicon

Queria ter te tirado no amigo secreto, mas ao invés disso, tirei o Maicon. Para piorar a Samara te tirou e trocou com o Matheus pelo Dudu, que ele tinha tirado. Agora a Samara tirou o Dudu, o Matheus te tirou e eu… Bom, eu fiquei com o Maicon mesmo. Não entenda mal, ele é gente boa, mas eu estava torcendo muito para ser você.

Te daria o melhor presente, modéstia a parte. Venho observado seus gostos e sei de muita coisa que você iria adorar. Aquele livro que você vive falando, sabe? Consegui autografado pelo autor. Seis horas na fila, mas valeram a pena. Quer dizer, valeriam, se eu tivesse te tirado.

Consegui ingressos para aquele show que você queria também. Perdi a hora para a prova no dia seguinte, já que fiquei a madrugada inteira no site para conseguir, mas acho que vou me dar bem na substitutiva. Agora talvez eu vá com o Maicon, já que ele também gosta da banda.

Pensei em fazer uma caixa com várias coisas para você. O livro, os ingressos. Colocaria também alguns pacotes daquela bala que você vive comendo no intervalo e um par de meias xadrez. Não sei se você se lembra, mas na sexta série, quando a gente ainda era amigo, teve uma vez que você morreu de rir com um senhor xingando o próprio carro. Ele batia nos vidros e gritava “Lata velha!”. Usava shorts e meias xadrez até o joelho, e ficamos imitando ele por semanas depois daquilo. Então seria um presente mais como uma piada interna nossa.

Seria porque eu queria ter te tirado no maldito amigo secreto, mas não tirei. Tentei trocar os papéis na hora, mas me atrapalhei e acabei estragando meu plano inteiro. Era tão óbvio que isso aconteceria que nem sei por que estou chateado. É como nas vezes que te encontro no ponto, dou passagem para você entrar primeiro no ônibus e torço para vagar um lugar ao seu lado, mas nunca vaga. Sempre algum idiota, tipo o Matheus, senta com você, e eu tenho que sentar com… Você sabe. Ou nas vezes que você esquece sua caneta na aula. Eu sempre tenho uma sobrando, por que sei como você é esquecida, mas você nunca me pede.

O mundo conspira em nos afastar e eu não aprendo. Lembra aquela vez que minha mãe gritou da janela do carro: “Bebê! Esqueceu a cueca extra no banco de trás!”. Quem estava lá para escutar isso? Pois é, você. Mas quando tirei a bola que estava presa no teto da quadra havia um ano só jogando meu tênis, quem estava lá? Maicon.

A escola está acabando e talvez a gente nunca mais se veja, mas eu sei que se por acaso eu te ver por aí, vou lembrar de como me sinto agora e de como me senti todos esses anos. Vou lembrar, por exemplo, que você chama amigo secreto de amigo oculto, e eu acho ótimo. Toda vez que você fala alguma expressão só sua, aliás, eu acho ótimo. Mesmo quando não diz nada de mais. Só seu sotaque e seu jeito de falar me deixam besta. No fundo, eu sei que sou um cara legal e que você sai perdendo, mas mesmo assim a gente fica chateado para burro com tudo isso.

Espero que goste do presente do Matheus, mas tenho certeza que não será tão legal quanto o que eu vou dar para o Maicon. Comprei uma camiseta irada da NBA e ele vai ficar amarradão.

 

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