Ventania à paulista

O fim de ano está chegando e alguns turistas devem vir passar férias na cidade de São Paulo, por mais que essa escolha me pareça questionável. É assunto pra outra hora. O fato é que eles vêm passear na Paulista, comprar na 25 de Março, tomar sorvete na Oscar Freire, tirar fotos no Beco do Batman e beber na Vila Madalena ou no Itaim. Isso tudo é praxe, acontece desde sempre. O que muitos não sabem, tanto os que visitam quanto os responsáveis pelo turismo paulista, é que há uma nova atração escondida na cidade: as ventanias da linha amarela do metrô.

Quem passa por ali sabe do que eu estou falando. É entrar em qualquer estação que o sopro de um gigante adormecido tenta te varrer de volta. O tufão glacial invade qualquer buraquinho do seu casaco, faz cabelos sacudirem destrambelhados para cima, tira lágrimas dos olhos de homens, mulheres e crianças. Não sei o porquê, deve haver um engenheiro gaiato por trás das obras, um fã do filme Twister que resolveu criar túneis e corredores que facilitassem o furacão.

Acontece desde que a linha amarela foi inaugurada, em qualquer estação, mas nada se faz a respeito. Vamos aproveitar, eu digo. Mirem-se no exemplo ianque, pros caras tudo é grana. Se nasce uma árvore um pouco torta num parque, pronto, eles cercam a bichinha, põe catraca, contrataram um guia, inventam um nome qualquer tipo “A maravilhosa árvore torta do Mississipi” e aquilo vira ponto turístico. Ainda constroem uma lojinha do lado com boné da árvore, camiseta, caneca, chaveiro e o escambau.

Que se dane o pastel do Mercadão, o Portinari do Masp ou a balada eletrônica da Vila Olímpia. Isso é passado. Temos uma nova atração agora, já posso ver as propagandas: “Experimente a internacionalmente conhecida ventania da linha amarela! Tire fotos à la Marilyn Monroe no túnel da estação Fradique! Saía voando com sua sombrinha no melhor estilo Mary Poppins! Lute para ficar em pé na Luz, se seque da garoa em um minuto nas escadas rolantes do Butantã! Diversão para toda a família ou seu dinheiro de volta!”

A estação Pinheiros e sua cratera gigantesca poderia ser a principal atração, algo como um vulcão invertido, um imenso buraco que, em vez de fogo, sopra ar gelado. “Tente escapar dessa aventura! ” diriam os cartazes com ilustrações de pessoas rodopiando no ar. Mal posso esperar para apontar a plataforma certa para uma família chinesa, aparecer numa selfie do casal ucraniano e fazer amizade com os turistas do Maranhão.

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Deitemos em qualquer lugar

Tenho simpatia enorme por crianças que deitam nos lugares. Não as birrentas, jogadas no chão da Ri Happy, berrando por brinquedos de mil reais. Dessas quero distância. Falo daquele menino ou menina que decide, sem mais nem menos, independentemente de onde está, que roupas usa, que horas são ou quem o rodeia, que chegou o momento de se deitar no chão. Como se não fosse mais possível ficar em pé e não restassem alternativas.

Recentemente vi um na livraria, deitado de barriga pra cima, entre as estantes. Pessoas passavam por ele, se esquivavam, tomavam susto quando percebiam o moleque ali estatelado. Nada o fazia sair, os olhos seguiam fixos no teto, os braços abertos, as pernas esparramadas no carpete. Tive vontade de me deitar ao lado, ver o que ele estava vendo, mas me mantive em pé. Pateticamente em pé.

Nos últimos tempos só tenho deitado na cama ou no sofá. Nem yoga faço, o que me daria a chance de deitar ao menos num daqueles tapetinhos pra alongamento. Lembro que às vezes tinha vontade de me esticar no gramado de um parque, na praia, no meio da sala de estar. Ouvir música deitado no tapete, escutar o barulho das ondas na areia. Isso passou. O máximo que me acontece é tomar uma trombada no futebol, cair no gramado e me levantar em seguida.

Mas na livraria, por alguma razão, voltei a sentir esse desejo. Não quero entrar naquele papinho de que as crianças são puras e desbravadoras, possuem uma visão especial das coisas, não se deixam levar por convenções bestas da sociedade adulta. Se fosse assim eu comeria terra, enfiaria o dedo na tomada e estaria tudo certo. O lance é que o moleque, entre a sessão de literatura nacional e poesia, parecia totalmente relaxado. Estar ali deitado era claramente bom, prazeroso, seu rosto dizia isso, não havia preocupação.

Me aproximei com calma. Fingi interesse em algumas lombadas, passeei com os dedos por cima dos títulos, consultei preços na máquina sem nem olhar o visor. Desviei a atenção pra criança, ainda esticada no chão, soprando bolhas de sabão imaginárias em direção ao céu. Me abaixei como se tivesse encontrado um livro perdido. Alguns gemidos disfarçados, um teatro de dor no joelho e pronto, eu estava sentado em frente à estante. O próximo passo foi simples, apenas virei o corpo e deixei cair, encostando a cabeça no chão e esticando as pernas. Vi a parede de livros ao meu lado, o teto com tubos grossos, prateados. Respirei fundo, enchi o pulmão. A próxima coisa que me lembro é a voz de uma mulher de meia idade dizendo:

─ Senhor, não pode deitar aí…

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Introdução à pelada

Gostar de futebol não tem nada a ver com jogar futebol. Não estou entrando no mérito de ser bom ou ruim, você pode ser aquele camarada que tem a movimentação de uma senhora idosa e a habilidade de um bloco de cimento, mas, se entra nas quatro linhas e joga, você entende o que estou dizendo. Também não pretendo falar sobre jogadores profissionais, coisa que não cabe a mim. Meu departamento é outro. Um que estive durante toda a vida, ralando joelhos, quebrando braços, contundindo canelas: a pelada.

Digo que gostar não tem relação com jogar porque, em resumo, pelada é futebol, mas não é. Os elementos são praticamente os mesmos – a bola, os gols – mas se você for analisar a fundo, uma coisa não tem nada a ver com a outra. Não adianta saber tudo de 4-4-2, 3-5-1, nó tático, marcação por zona, falso 9 ou ocupação de espaço. Você pode ser aquele cara que decora a escalação do Bangu campeão carioca de 66, ou que sabe todos os técnicos que passaram pela seleção do Chile. Na pelada, meu amigo, isso não serve de absolutamente nada.

Pra começo de conversa, as regras são outras e quem as aplica não é o juiz, mas cada um dos jogadores. Os lances são debatidos na hora, com apresentação de argumentos, apelos para o emocional e gritos de ódio. É evidente que o poder no apito varia em relação a cada participante da pelada. Alguns têm mais autoridade que outros e, normalmente, a decisão dessa turma, composta pelo cara das finanças, o tiozinho experiência, e O Churrasqueiro, tem mais peso.

Mas há um agravante. Além das regras serem outras, cada pelada tem as suas. Próprias, específicas e imutáveis (às vezes, mas não vamos complicar). Se existem milhões de peladas ao redor do Brasil, milhões de livros de regras às acompanham. Algumas usam a velha contagem de 10 minutos ou dois gols, que o próprio nome já explica: o jogo acaba após dez minutos ou quando algum time marcar duas vezes. Outras, menos democráticas, utilizam o autoexplicativo “ganhou ficou”.

Há goleiros que não pagam, pelo simples fato de serem goleiros e isso já ser prejuízo o bastante. Bolas na mão são casos a parte. Algumas peladas punem o ato, se for obviamente intencional, com pênalti, independentemente do lugar do campo em que o golpe de voleibol foi feito. O número de jogadores também varia, dependendo do fôlego dos atletas. Podemos ter peladas superlotadas, com 15 de cada lado, trombando ou esperando as bolas paradinhos, como bonecos de pebolim.

O fato é que, além de não ser futebol propriamente dito, uma pelada também nunca é igual a outra. Mudar de pelada é mais ou menos como mudar de emprego, é preciso uma readaptação, muitas vezes traumática. Tudo é incerto, inconstante. O nome muda dependendo do seu estado natal. Há quem diga bater uma bola, tirar um contra, fazer um rachão. Na Bahia, o nome é baba (borá bater um baba?). Por isso, só jogando pra entender o que digo. Mas, se você não é dos que joga, te dou a introdução à pelada: juntar um bando de pessoas sem pensar em idade, sexo, classe social ou circunferência da barriga, achar um lugar e chutar uma bola (mas isso também pode variar bastante).

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Banca 2.0

Não sei bem o que aconteceu, mas parece que ultimamente banca de jornal anda com uma mania estranha de grandeza. É cada vez mais raro ver aquelas casinhas metálicas com uma revista aqui e outra ali. Agora é tudo mini shopping center, como se as bancas tivessem apertado aquele botão supersônico dos Power Rangers e se transformado em megazords.

Não foi minha intenção dificultar a vida do leitor com essa citação anos 90, mas é que, pra mim, também está difícil entender essa situação toda. De repente as bancas de jornal, famosas pela pequenez simpática que ostentavam, mandaram tudo ao raio que o parta e decidiram que passariam a vender cachecóis de times, miniaturas de aviões militares, frigobares do Romero Britto, terrenos em Pirapora do Bom Jesus, e todo tipo de treco que parece não ter relação com o conceito banca de jornal.

É a crise do noticiário impresso, dizem. Desde o momento em que o caderno de economia virou banheiro de animal de estimação, e que o caderno de esportes passou a ser usado somente pra embrulhar vasos, os singelos quiosques tiveram que se reinventar. Passaram, então, a vender o que desse na telha.

Acho triste. Lembro da banca do Miguelas, na Vila Beatriz, onde meu pai ia conversar com seus amigos e eu ficava sentado, lendo gibis da Turma da Mônica. Lia todos e os devolvia na prateleira. Miguelas sorria e me dava bolachas maisena, sem se importar se eu pagava, sujava, ou fazia o que fosse com a revistinha. Agora, já imagino o dia em que as bancas de jornal terão catracas, comandas e serviço de valet.

É evidente que não tiro a razão dessa megalomania, é preciso sobreviver. Sou só um pouco nostálgico. Tenho apego às lembranças dos gibis, do chão encardido da banca, da bala de 5 centavos, das figurinhas do Brasileirão de 98. É preciso aceitar que tudo muda, uma hora ou outra, mas, pedindo licença pra soltar um clichêzinho, querer abraçar o mundo às vezes pode acabar com a gente.

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Básico

Enxaguava meu cabelo com o Pantene 2 em 1 quando, assim, no meio daquela usual avalanche de pensamentos aleatórios que a gente tem no banho, me dei conta de que sou um cara bastante ordinário. Não digo isso no sentido homem, branco e hétero, algo que já havia percebido. Digo no sentido mais arrozfeijãobatatafritaebife do negócio, sabe? Sou praticamente um pretinho básico ambulante.

Suspirei enquanto a água quente batia nas minhas costas. Sou o rei do óbvio, bem que minha mãe me avisou. E é verdade. Gosto de pastel de queijo e pizza de mussarela. Sou daqueles que encontram um prato favorito em um restaurante e nunca mais precisam olhar o cardápio. Pra mim, coxinha é sem catupiry, cheddar ou sei lá o que colocam na coxinha hoje em dia. Gosto do clássico.

Pra falar a verdade, não sei bem quando isso aconteceu, se foi gradual, algo de berço, culpa do alinhamento dos planetas ou do meu signo chinês. Só sei que, quando vou ao cabelereiro e o sujeito me pergunta como eu vou querer, respondo que quero cortado mesmo, com tesoura. Se tivesse um carro, provavelmente seria um Gol. Torço pro Corinthians. Sou fã de Beatles. Entende?

E não está fácil ser assim. Os básicos perderam a vez. É um tal de pastel de feijoada pra cá, pizza de strogonoff pra lá, bolo de chiclete acolá. Outro dia, aliás, passando pela Vila Madalena, vi uma loja de balas gourmet (seja lá o que isso signifique). Meu coração acelerou, com medo. Coitada da 7 Belo, da Chita e da Frumello. Onde foi parar Juquinha?

Me dê sorvete de limão, de coco, de chocolate! Saí pra lá com essa lasanha desconstruída de alface e nozes! Eu quero é suco de laranja, pão na chapa, calça jeans e camiseta! Não me venham com esse papo de “nossa, mas você é muito básico”, como se isso fosse um defeito. Do básico vieste, ao básico voltarás.

Voltei mesmo foi ao banho. A sinfonia da água do chuveiro tamborilando os azulejos e o vidro do box ecoava e dispersava meus pensamentos soltos. Na minha frente, o tubo de um litro da Pantene. “Cuidado clássico – cabelos normais”. Nem tudo está perdido, amigos. Vida longa ao básico!

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Preciso dizer

Preciso dizer que, todo sábado, por volta das dez e meia da manhã, um rapaz fedendo a Cheetos embarca no ônibus Parque Continental/Metrô Trianon Masp no segundo ponto da Avenida Jaguaré.

O rapaz veste chuteiras de futebol society azuis, que ele comprou a contragosto, pois preferia pretas. Como estavam fora de linha, teve que se contentar com as coloridas e culpar a gourmetização do futebol. A pelada na mesma noite não deixava que ele adiasse a compra, e seu pé tamanho 40 impedia que ele pedisse algum par emprestado aos amigos, que naturalmente calçam números de acordo com a faixa etária deles, e não com a de um menino no início da puberdade.

O rapaz usa meiões pretos do Corinthians arriados até o meio da canela e, normalmente, está com um short do time inglês Sunderland, comprado por 5 libras na loja Lillywhites, em Piccadilly Circus, Londres. Sua camiseta varia. Às vezes aparece com uma de treino da Portuguesa, cinza e verde, herdada do pai. Outras, uma listrada do Corinthians, de 2013. Também já usou de times europeus e sul-americanos. Tem preferência especial pelas do Arsenal, a do West Ham, a do Estudiantes, a do Celtic e a do Porto.

Carrega nas costas uma sacola esportiva da Adidas e escuta música em fones de ouvido. Seu cabelo está sempre molhado de suor e seu andar é vacilante. Diz bom dia para o motorista e para o cobrador, quando lembra. Usa óculos escuros quando faz sol e um casaco cinza de capuz quando faz frio.

Prefere se sentar no banco da janela, em lugares que não haja ninguém ao lado, pois sabe que é provável que seu odor não seja dos mais agradáveis. Imagina que, quando o vento se torna mais forte, seu cheiro se espalha pelo ônibus e todos torcem o nariz para ele, o rapaz que acabou de jogar duas horas de futebol e está sentado ali, empesteando o ambiente. É bem possível que ele não esteja tão fedido, já que passa desodorante na tentativa de bloquear o cheiro até chegar em casa e tomar banho, mas mesmo assim tende a se sentir o centro das atenções da condução.

O rapaz fica feliz quando o ônibus atravessa o rio e o bodum de esgoto invade as narinas dos passageiros. Imagina que é a mesma sensação de tirar 4 em uma prova e ver o amigo tirar zero. Desce no segundo ponto da Avenida Doutor Arnaldo, para alívio dos que permanecem dentro do ônibus. Caminha alguns minutos, chega em casa, e toma banho.

Acho que não preciso dizer quem é o rapaz.

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O timing do aplauso

Ocasionalmente, talvez por karma ou devido a explicações astrológicas complicadas, cometo algum deslize que me assombra por vários dias seguidos. Não é nada grave ou mesmo criminoso, apenas aquela burrada que te faz querer entrar no primeiro buraco que achar, além de manter a constante dúvida em sua cabeça: “como eu pude fazer um negócio desses?”.

Muitos dos problemas estão ligados às regras não faladas da sociedade, aquelas coisas que devemos saber, mas ninguém nos ensina. Algo como não calçar chinelos e vestir camisa regata num concerto de ópera; ou não cuspir a comida no prato, caso o casal de amigos que te convidou para jantar tenha exagerado na pimenta. Aqueles pequenos erros que não são uma tragédia completa, mas que causam um sentimento bastante vergonhoso.

Pois bem, posso dizer que não sou exatamente a pessoa com mais facilidade em seguir essas tais regras subentendidas e, dia desses, fui novamente castigado por isso. Fui ao teatro, em uma apresentação um tanto elaborada e cheia de detalhes impressionantes, e caí em uma das armadilhas mais comuns em cerimônias como essa, o aplauso fora de hora.

Poderia até me defender aqui e dizer que não foi nada de mais, só que sou um sujeito que preza pela sinceridade e, assim, preciso dizer que foi o pacote completo, palmas entusiasmadas que acompanharam uma não menos empolgada levantada da poltrona. O que posso dizer em minha defesa é que a peça era realmente ótima e que, apesar de não ter terminado naquele momento, já estava merecendo receber meus louvores.

Após três embaraçosos e eternos segundos em que percebi que ninguém me acompanharia e em que notei um ligeiro ar de pânico no rosto dos atores, me abaixei discretamente e afundei na cadeira carregando um sorriso amarelo e fingindo que nada havia acontecido. Ao final, só aplaudi com certeza absoluta, após o salão estar tomado de ovações e os atores estarem executando seu famoso ritual de gratidão.

É preciso deixar claro, também, que há casos mais graves de falta de timing no aplauso que o meu. Por exemplo, aqueles que não se dão conta da bola fora e seguem batendo as mãos de olhos fechados até sabe-se lá quando. Existem também aqueles que, não satisfeitos em errar o tempo, incentivam as pessoas próximas a se juntar ao coro com gritinhos de “vamo lá, galera! Borá aplaudir!”. Mas é provável que o pior caso seja o do sujeito que, além de aplaudir na hora errada, ainda se acusa. Aquele camarada que bate duas palmas, cria um silêncio constrangedor e o usa para dizer baboseiras se explicando pelo erro de timing em meio a uma multidão de pessoas que só querem que ele cale a boca.

É um erro honesto, do bem. Em formaturas excruciantemente longas, em discursos de padrinhos de casamentos ou em qualquer teatro por aí, é certo que trombaremos com o aplauso adiantado. Pode acontecer com qualquer um, até com você. Comigo também, claro, apesar de estar me prevenindo. Agora, em qualquer ocasião que peça aplausos, minhas mãos estarão bem guardadas nos bolsos.

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